Adivinhas

Baila destino baila

bola de vidro baralho

borra de café

o canto

de um pássaro

noturno

e só.

Fico sem mim

quando ouço nem

sei quantas vezes

você.

Baila destino meia

verdade é tudo

que sou.

Bola de fogo

jogo banho

de folha sal

da terra gosto

de chão.

Sendero sei lá

que sendero:

ninguém me

diz eu me

digo, ninguém

me sabe eu me

sei.

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12 Comentários

Arquivado em Poesia

12 Respostas para “Adivinhas

  1. Fico eu, aqui (aqui, comigo, e aqui, contigo), imaginando se esses versos, sempre bons, não surgiram de uma xícara de café, tomado à janela, olhando sei-lá-o-quê (a paisagem mais vista do mundo), sem se dar conta de que o tempo voou, o café acabou, restando somente aquela borra, no fundo. No fundo, no fundo, como se buscasse resposta para pergunta ainda não feita, ou mesmo pergunta para resposta já achada, tentando adivinhar algum futuro no resto de pó naquela minipiscina vazia tão à mão. Qualquer dia desses vou tentar reproduzir a cena: garanto o café, a xícara, o cenário de sei-lá-o-quê (apesar de está cansado de ver), duvido, porém, que versos assim me venham. Não custa tentar…

  2. Grande Chico, sobre a cena, ela é plausível porque na verdade é isso a poesia: esses acessos que nos deixam tomados por alguma coisa que é o momento, um quase êxtase que talvez devêssemos viver simplesmente e pronto, mas junto a isso vem a necessidade de traduzir este momento, do jeito que a gente consegue porque o que importa é o ato em si! No caso desse poema aí em cima não foi assim: esse na verdade é um daqueles que ocorrem quando estamos de frente ao computador, fazendo outra coisa, e a mente vagabunda se insinua! Quanto a você experimentar uma cena de café, só pode ser licença poética: é tanto o que vc produz, tanta inspiração, que certamente situações assim lhe ocorrem, sempre! E viva a poesia!!

  3. O que foi o que foi? O que é o que é? O que será o que será? O que não-ser o que não-ser?

    Nílson, mesmo do pouco que o li, me ponho a adivinhar: já acho a sua poesia inconfundível.

    Bonito o diálogo de vocês aqui nos comentários, hein!

    Um abraço.

    • Oi, Macantonio, gosto da ideia de que a gente se faça reconhecer – pelo menos por leitores sagazes como você! Quanto ao diálogo, o bom é não só que aconteça, mas que seja aberto, sempre. E sinta-se à vontade quando passar por aqui! Abraço!

  4. akira yamasaki

    Diálogo de cachorros grandes ao redor de uma xícara de café, imagine se fosse um cafezal. Nilson, fico sem mim quando leio o que voce escreve.
    Um abraço.

  5. Bernardo

    ando meio desligado, mas não deixo de ler vc; senão, o que seria de mim?

  6. Pô, Bernardo, o mais importante é essa sintonia, nós os e-amigos não nos perdermos de vista!

  7. Bípede falante

    Eu sei, tenho certeza, que você tem enorme talento!!!!

  8. Um poema que pede violão e flautas

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