Bartleby

A solidão se reduz a si

mesma, esfera de cristal

a brilhar numa dobra da

casa. Domo. A solidão

indômita, sua mordedura

nos braços e pernas, sinal

de Caim. O sinal de quem

não: prefere não. Morrer

é simples, morre-se à toa,

cem vezes ao dia, ou mais.

Vai-se ao escritório de

cortar moer acondicionar

a carne, assim seja. Vai-se

ao escritório de mover-se.

Por onde se move a carne o

espírito: por um labirinto

de razões.

Anúncios

4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para “Bartleby

  1. Chorik

    Assim jaz a solidão. Vívida, no escritório das razões.

  2. akira yamasaki

    Mordidas da solidão nos braços e pernas.
    Pôrra, Nilson, nada pode ser tão máximo assim.
    Um abraço.

  3. Lembrei de Bartleby e Companhia, do Vila-Matas, que é uma história sobre os que preferem desaparecer, escolhem a solidão.
    Lindo, Nilson.
    Beijo beijo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s