Salvador, 1975

Cineminha: super 8 hiper 8 em tecnicolor. Uma cidade. Übercinema com cheiro, cheiro inefável, blend: refresco de uva tangerina & diesel & dendê & cecê & mijo & boca de lobo aberta escancarada. Um dia. Taxis amarelos tarjas pretas fuscas brasílias aos pedaços bandeirada desbandeirada ladeira abaixo cidade abaixo acima. Uma tarde. Sol & sol & sol & sol & sol & sol & sol. Uma cena. Impregnações: freio motor picolé limonada gelada goela gelada indelével. Banal. Suór e nada saber a não ser com os olhos ouvidos narinas poros papilas absorvê-la como só uma vez na vida se absorve uma cidade. Inteira. Compactá-la então numa única imagem borrada porta de ônibus pé no chão balaustrada mar o absurdo mar a vaga estória de tudo promessas segredos dores o inacreditável fluxo da vida pelo cano de descarga: não temas. Buzinas. A umidade do inferno e nem pense em cartões postais. Sem fotos. Uma curva uns tantos habitantes fantasmáticos o apito do guarda trombeta de mil labaredas. Miasma. Sofisma: como, se nem me lembro?

.

Texto publicado no blog-futuro-site Bahia na Rede, brilhante empreitada de Marcus Gusmão e Josias Pires, onde ensaio fazer uma coluna de crônicas após tresloucado convite dos editores que, claro, são meus amigos. Aí em cima, a cidade como ficou impressa na mente de um garoto interiorano de cinco, seis anos – ou melhor, como essa impressão sobrevive, depois de três décadas e meia. A foto é de André Motta de Lima.

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