Pela orla

Você vem caminhando na orla dos

acontecimentos, é incrível como se

pode vê-los assim.

.

Deslizando como um

peixe na orla dos acontecimentos,

e exulta por tocá-los assim.

.

Tropeçando na orla dos acontecimentos,

e se compraz em misturá-los

assim.

.

Ilustração: Edward Hopper, People in the sun, 1960.

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4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para “Pela orla

  1. Há sempre aqueles que defendem que se deve ir ao centro de tudo, imaginando que é aí que a(s) verdade(s) está(ão): perdem o prazer da margem, da orla – que, por si, já é um desses (grandes) acontecimentos a que poucos se permitem, pelo temor de perderem tempo nas redondezas, sem se darem conta de que – ideia nada nova – qualquer ponto, por mais à margem, é sempre o centro de um novo círculo, quem sabe se também o início de um novo ciclo.

  2. Nada fica completo sem passar pela orla.
    É mesmo incrível perceber que é assim, essa referência.
    Beijio, Nilson.

  3. Gerana

    Um poema que traz a própria vida; afinal, todos nós entendemos o caminhar “pela orla”. Bom, muito bom.

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