Ao poeta contemplando a morte

 Foto: Damário DaCruz

.

Em algum canto do universo

tua voz nítida. Ressoará agora,

e para sempre, o canto enfim

da cidade sombria, margem do

rio, margem da margem, margem

da página onde se inscrevem

todas as vezes: tantas, tão

várias. A morte é sonho.

.

(Troquei algumas palavras com Damário DaCruz uma única vez, na Agecom. Conhecia o famoso poema-poster ‘Todo Risco’ e o espaço Pouso da palavra, em Cachoeira. Fiquei tocado, como muitos, com o lúcido, leve, sábio poema em que ele fala da morte, da própria morte, como quem diz ‘vou ali e já volto’. Ficou martelando na cabeça, no fim de semana. Incutido, como diz Marcus, acabei escrevendo o poema acima, uma tentativa de diálogo com alguém que partiu, que já fala outra língua (a dos anjos?). Vã tentativa, talvez. Mas foi o que me ocorreu.  Para quem não viu nos jornais baianos ou nos blogs, transcrevo abaixo o ‘Gran Finale’, legado pelo poeta. Ave, Damário!)

.

Gran finale (Damário DaCruz)

Avise aos amigos
que preparo o último verso.

A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo
saio de cena.

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4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para “Ao poeta contemplando a morte

  1. Gerana

    Todos nós da blogosfera colocamos este poema. Todos falamos de Damário. Quer prova maior de ter sido gente legal e poeta amado?

    Viu o endereço dos concursos que deixei nos comentários da postagem anterior?

    Oi, Gerana, pois é. Convivi pouco, como disse, mas tive também essa impressão. E o poema me tocou! Quanto ao link: vi, vou dar uma olhada. Correr atrás, como se diz. Gracias!

  2. Belos, os dois, Nilson. A morte é sonho – um ‘Gran Finale’. Abraço!

  3. Não conhecia Damário. Valeu, Nilson, por ele e por teu poema, que é lindo.

  4. I.Moniz Pacheco

    Conhecí Damário uma manhã na Objetiva, enquanto esperávamos nossas fotos ficamos conversando e eu lhe disse da minha admiração. Sou fã dos seus poemas e sobretudo das suas fotos.Belíssimas! Trocamos telefones, ficamos de nos encontrar, mas enfim…
    Perdemos mais um poeta das letras e das lentes.

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