Para você, inadvertidamente

Sei lá quem é você que anda lendo esse blog: terá a mínima idéia de quem é que anda escrevendo nele? Varia muito: às vezes os que lêem são mais numerosos que de costume; às vezes são poucos, principalmente quando a tela fica dias a exibir o mesmo texto, por preguiça ou falta de tempo ou falta mesmo de imaginação. É intrigante quando continua vindo gente mesmo depois de dias sem nada de novo. É interessante pensar que também costuma variar o número dos que escrevem no blog: vezes muitos, vezes poucos, vezes nenhum. Afinal o que é um blog? Um bicho esquisito, mesmo na internet. Pois afinal estamos nós aqui, sem nos decidirmos se isso é um caderno de anotações aberto a quem interessar possa ou se é algo mais do que isso: uma página, como se diz. Legal a sensação de escrevermos a nossa própria página, de imaginarmos que ela não tem fim, se escreve todo dia, ou nos dias que quisermos. E essa mania de fugir ao ponto: a questão mesmo é você aí, diante da tela. Terá a mínima idéia da complexa teia em que está se metendo quando resolve se aventurar em um remoto, inadvertido blog?

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8 Comentários

Arquivado em Poesia

8 Respostas para “Para você, inadvertidamente

  1. confesso que me assustei quando recebi o primeiro comentário de alguem que jamais imaginei a existencia. quando escrevemos um livro, p.ex., os leitores estão distantes, fica um silencio entre as partes ( principalmente se não gostam do que leram ). aqui, não: é pronta resposta. pinga-fogo.ping-pong. mas aqui tambem se dá o silencio…

    Sou um entusiasta dos blogs. Sei lá onde é que vão dar, mas acho que são o que há de mais quente hoje em dia.

  2. Em mim, ou para mim, gosto de chamar blog de bloco de notas – sempre os tive e ainda tenho. As duas diferenças:
    1. Desfruto dos blocos de notas do espaço, quantos queira, quantos tenha tempo de ler. Terminei devota dos e-amigos aqui descobertos (selecionados), na maior felicidade de encontrar jovens escrevendo bem
    2. A Narcisa que mora em mim se expõe em seu bloco de notas público, Narcisa adora receber comentários.
    —- “Sei lá quem é você que anda lendo esse blog” aê amigo… a curiosidade mata!

    Item por item, também:

    1. Tb tenho os meus bloquinhos de papel. São com certeza mais caóticos que os seus: misturam trabalho, lista de supermercado, contas do mês, telefones e … poesia, às vezes só umas ideias pra serem desenvolvidas depois. Aí o bloquinho acaba, todas as outras coisas anotadas ficam datadas e não jogo fora por causa das ideias e dos telefones…
    2. É verdade, acho que somos todos uns narcisos!
    3. Pois é, curiosidade da peste. Tenho me surpreendido com o número de acessos. Não são tantos assim, mas me surpreendem. Claro que me deixam feliz. Mas quem será? Meu deus, quem será???

  3. Sempre suspeitei dessa complexa teia. Tudo que o homem toca ganha uma dimensão de troca energética, fluídica. Por isso nos encontramos, e-amigos, por aqui, trocando emoções sobre a existência. Quem escreve e quem lê são sempre muitos, múltiplos, encantadores.

    Essa é uma dádiva do blog: na internet, é onde, como disse Maria, a gente mais seleciona, encontra afinidades e cria vínculos. Coisa de e-amizade, que na prática já é amizade (ops, trocadalho!). O que de fato é ótimo!

  4. Fico um tanto com maria sampaio no que toca ao Narciso que temos dentro de nós e podemos colocar no blog sem constrangimentos porque não estamos vendo a reação dos outros. E fico com aeronauta no que toca à troca energética e às emoções compartilhadas.
    O ponto que acrescento é o que se refere à carência. Algo nos falta. Algo que encontramos nos nossos blogs. E como esse algo, que não sei o nome exato, é comum a todos nós, acabamos criando nosso mundo. Um mundo aberto: chega alguém novo e comenta; pronto, adoramos! Pode entrar, tem blog?, irei lá também… É o que queremos, um mundo novo, mais aberto, que crie uma teia e amenize aquela carência, vinda daquele algo sem nome.

    Pois é. Acho que todo mundo tem essa carência, mesmo. É ótimo encontrar pessoas que param pra nos ouvir. E tb parar pra ouvir outras pessoas. Uma necessidade humana, demasiado humana!

  5. Quando eu era criança, passava as férias na ilha. E, nos finais de tarde, as pessoas colocavam cadeiras nas portas de suas casas para esperar as visitas do dia. Lembro-me que minha avó se arrumava e ia de casa em casa trocar “um dedo de prosa”. Havia algo de muito delicado e simbólico neste ritual. Meu blog é isso: um colocar de cadeiras para a chegada dos meus e-amigos. Sempre disse que não fazemos amigos, os encontramos. Sorte minha ter, em tão pouco tempo, reconhecido vocês.
    Bjs

    É verdade, tem essa dimensão que resgata o velho bate-papo, hoje cada vez mais difícil no ritmo louco da vida. Também tô gostando muito de tudo isso, dessa teia que se formou tão rapidamente. Sorte minha, tb! Bjs.

  6. Nilsão, eu prefiro não pensar muito nas razões de EDITAR um blog. Quanto às razões de LER os blogs dos outros, é simples. Prazer em conviver com amigos.

    Claro, claro. Ler é tão importante quanto, talvez mais. Por isso esse post não deve ser entendido como uma queixa, nada disso. Há quem diga, como Borges, que o leitor é mais importante. De forma enviesada, quis fazer um tributo a todo mundo que entra aqui para ler essas mal-traçadas!!!

  7. Katia Borges

    Tem o lado de aparecer, como Gerana diz. O lado de anotar, como Maria fala. O lado de prosear, como Renata lembra. E a troca de energia, como frisa Aero. Prefiro, como Celso, não pensar que edito algo quando faço um post. O Madame é meu relax da chatice da vida. Amo tudo que me faça bem.

    Isso também! Como as pessoas que jogam baba, pôquer, fazem dança de salão. Isso aqui é um relax. Mil coisas!

  8. Nilson, concordando com tudo que todo mundo falou, eu acrescento que o blog, para mim, é uma forma de expressão. O mundão é grande, múltiplo, complexo, incompreensível demais, se a gente só engole, pira. No blog podemos existir, construir uma identidade, nossa história, à medida em que nos expressamos, mostramos a nossa visão e relação com a vida.
    beijo

    Interessante é que tem vários pontos de vista, mas a questão central parece ser mesmo essa: todos nós, que queremos dizer alguma coisa, seja qual for e com que efeito, encontramos no blog esse veículo. Não é orkut, que a meu ver é chapado; nem twitter, talvez ligeiro demais; nem um “site”, “sítio”, algo institucional; nem um livro, sagrado, estático. É um blog: nossa forma de expressão.

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