Epístola aos crentes e aos não crentes

Estamos sempre de volta a

deus-seja-lá-o-que-for. Nos liberta,

nos oprime essa ideia de

deus-seja-lá-o-que-for. A tarde brilha

de beleza sem propósito – haverá

necessidade de deus? A tarde vai embora

e a noite – será de deus o mistério da

noite? Será deus? Meu coração se despoja:

meus olhos se despojam: estou sempre à

espreita de deus-seja-lá-o-que-for,

e às vezes há pistas muito quentes,

às vezes não. Jamais diga: deus não

existe. Muito menos: deus existe.

Não existe; existe. Está onde não está.

A grande invenção do homem;

sua maior tolice. E, claro, não mate

por deus: é sumo pecado matar por

deus.

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4 Comentários

Arquivado em Poesia

4 Respostas para “Epístola aos crentes e aos não crentes

  1. perfeito, Nilson! E eu sempre emudeço diante de Deus. E de sua poesia.

  2. Nilson,
    realmente Ju madrugou na saída hoje. A partir de 17, ótimo. Gratíssima.
    Beijos
    Maria

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