Sacerdote acidental

O universo me visita de vez em quando. É mais ou menos como uma súbita e difusa indolência, um vago deixe estar, momento em que turvam-se as certezas e não há ninguém para puxá-las de volta. Aí eu volto: a caneta, o caderno, a mesa, os carros lá fora, tudo se parece com o universo. É curioso: tudo é rigorosamente igual àquele enigma impalpável que eu chamo de universo, e no entanto já não está a meu alcance o enigma sem resposta e sem nome que inadvertidamente chamo de universo.

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6 Comentários

Arquivado em Poesia

6 Respostas para “Sacerdote acidental

  1. Isto é típico dos poetas. Assuma e lance logo um livro. Feliz ano novo!!!

    Oi, Gerana, com esse empurrão de vcs vou acabar me retando e lançando mesmo, nem que seja e-book (impresso deve ser caro, acho). Taí uma boa decisão pro ano novo.

  2. Chico Vivas

    Ao contrário de mim, você consegue dizer POUCAS E BOAS: eu, disfarçando minha “maldade”, não passo das MUITAS.
    E como tudo isso não passa mesmo de palavra(s), só mais algumas, as últimas, neste ano:
    FELIZ ANO NOVO!
    Forte abraço.

    Chicão, pouco ou muito é uma questão de estilo, o que importa é dizer. E que venham as palavras. Feliz ano novo pra você tb!!! Abração.

  3. Eita que isso ficou profundo e belo! Parabéns!

    Valeu, Celsão!! Ah, e veja: qdo falei de ioga, não pensei em meditação. Eu faço hatha, que é ioga física, mesmo. Ginástica pra preguiçoso!

  4. Bonito demais, Nilson. Que 2009 nos traga seu livro impresso.

    Então que 2009 decida, Aeronauta! Mas brigado pelo estímulo de sempre.

  5. Marcus

    Avistei parte do seu universo Brumado, mas quebrei à direita em direção ao Rio de Contas, onde comemos bode, galinha, macarrão, farofa e tomamos coca-cola. Viva nosso universo quase comum, caro amigo.

    Então a renca entrou em Brumado, passou a ponte e virou à direita pra estrada de Livramento? É território sagrado, mas pra vocês não tem problema. Na volta pode entrar: a casa é sua, meu caríssimo amigo! PS: O sertão, na verdade, é um só. Pra quem vem de lá, por isso mesmo, até NY é sertão!

  6. Rosa

    Feliz por voltar a encontrar-lhe, versando!
    Sacerdote Acidental é ótimo!
    Lembrou-me de “Meditação” de Gil, no disco “Refazenda”:
    “Dentro de si mesmo/mesmo que lá fora/fora de si mesmo/mesmo que distante/e assim por diante/de si mesmo, ad infinitum…/tudo de si mesmo/mesmo que pra nada/nada pra si mesmo/mesmo porque tudo/sempre acaba sendo/o que era de se esperar”.
    Andei visitando academias e nada de ânimo para aqueles “bate-estacas” ensurdecedores.
    Acho que vou aderir à “ginástica de preguiçoso”! Adorei!

    Oi, Rosa, é isso: tipo atleta acidental!

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