O poema que se escreve

Never Stop Writing por Karina D..

Foto: Never stop writing, por Karina D.

 

O poema se repete,

o mesmo sempre,

e é assim também com os poetas que conheço:

célebres, anônimos, escrevem

um único, invariável poema.

Todos os poemas são de fato um só,

de Dante ao poeta da praça,

de Safo àquele de edições

do autor, ou de não-edições.

Os poetas somos iguais, uma mesma

pessoa com numerosos infindáveis

heterônimos e até, que seja,

curiosas idiossincrasias.

É possível que o poema já esteja pronto

desde o início dos tempos, e se dê

a revelar um pouco a cada um de nós,

hoje rima, amanhã ritmo, depois

verdades insofismáveis porém dispostas a

variar de acordo com a forma,

o efeito, o gesto que capture o leitor,

o ouvinte, e o traga para dentro

do poema que é o mesmo, que não nos

pertence, mas quer ser criado

por todos nós. 

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2 Comentários

Arquivado em Poesia

2 Respostas para “O poema que se escreve

  1. Katia Borges

    Somos todos sócios num grande projeto poético único.

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