Indelével

Um poema que precede as palavras

e prescinde delas, um ensaio de

catarse, arquétipo de toda beleza

e do horror, tão perfeito, tão impuro,

tão inócuo. Um poema numa língua

morta de uma tribo sem vestígios.

Um sentimento que houve uma vez

e deixou de haver. Sua febre assalta

sem aviso prévio, e arde querendo

levar tudo embora, e corta na alma

pra chegar à carne. Um poema cármico

inumano, carma da matéria pura,

eco dos ecos dos ecos do big bang.

Objeto indelével: um poema.

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