Epifania

Hieronymus Bosch: As tentações de Santo Antão

Claro que sim, claro que não.

Minha dor, ardilosa, dilui-se às vezes.

O amor que trago me concebe

às vezes. Quanto a mim, são palavras

as vozes que escuto. Palavras ditas por

anjos e demônios, que sou anjos e

demônios descrentes de crer. Peço

que não me conjure enquanto durmo,

enquanto circula a delicada substância

dos sonhos. A instável substância

encapsulada, a torrente incalculável

que explodiria se trincasse o vidro,

se a dor destravasse. Tenho parte com

tudo. Nas horas vagas me esqueço

de tudo.

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2 Comentários

Arquivado em Poesia

2 Respostas para “Epifania

  1. katiaborges

    Amei a ilustração. Sinto que vc mudou um pouco no tom da poesia. Ficou mais denso e reflexivo. Tô enganada?

    Oi, Kátia. Pois é. Acho que é um “outro eu” (rsrs). Na verdade, talvez seja fruto da fase. Mudanças profissionais, meu pai finalmente fazendo aquela temida e inevitável cirurgia (exatamente hoje, neste momento em que escrevo). Acho que aí emerge o velho que habita em mim. Um velho meio rabugento…Bjs.

  2. que bonito, tanto o texto como a ilustração estão lindos.
    às vezes, nem nas horas vagas esqueço de tudo.

    É verdade, Martha, isso é bem difícil. Talvez seja mais a expressão de um desejo, sei lá. Bjs.

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