Poema de Kátia Borges

(Mais em MadameK)

A verdade é uma só:
todo mundo traz o menino de Branau
confinado dentro de si
em um bunker imaginário.
E todo sonho que temos,
seja entrar para a academia de artes,
ou possuir a espada de Longino,
é o marido de Eva Braun,
o arquiteto do caos,
que queima em nosso peito.
Pois também ele sonhou
na abadia de Lambach,
servir a Deus e ser bom.
E todo sonho que temos,
seja planejar uma cidade
ou comandar um exército,
é o dono do cão Blondi,
o filho de Klara e Alois,
que ruge dentro de nós.
Pois ele também sonhou
certa tarde no Museu de Hofburg
ter a lâmina da vida nas mãos.
E todo sonho que temos,
eternizar-se na memória
ou liderar uma nação,
é o plagiador de Blavatsky,
o falsificador de Nietzsche,
o criador de Treblinka
e de Auschwitz-Birkenau que grita.

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