Rojo

O “rojo” aí do título em castelhano é vermelho, cor em que me quedo acá, ao ler os rasgados elogios do meu amigo e guru bloguístico Marcus Gusmao, no Licuri, a uma foto que nao tirei, pior ainda: que postei aqui sem dar o devido crédito, contrariando uma das primeiras liçoes que aprendi com ele. Pois é, meu caro, eu que ia fazer altas digressoes sobre a Argentina e os argentinos agora me enrosco nesse mea culpa. Fiz copycola de um site de viagens, esse aqui, esqueci de acreditar e acabei me deparando com os elogios indevidos, o que nao invalida a acurada sensibilidade fotográfica de Marcus e por tabela a minha, vá lá, felicidade na escolha da foto.

E quanto à Argentina, bueno, eis que me surpreendo com a minha mais interessante viagem ao exterior. Fui antes a Bruxelas e Paris (1997) e Nova Iorque (2003), ambas viagens de trabalho. Novesfora o fato de que trabalho é sempre chato, acho que nem a “América” nem a Europa me seduziram tanto. Sim, Marcus, há uma atmosfera antiquada por acá, e os carros velhos, nao apenas os ônibus, meio que fazem as vezes de metáforas de tempos bicudos. Hay manifestaciones com hora marcada na Plaza de Mayo – presenciamos uma contra a exploraçao das mulheres na prostituiçao. Hay charme intelectual, uma livraria em cada esquina, essas coisas. Mas o que me pegou mesmo foi a sensaçao de quase-Paris da paisagem urbana dominada pela arquitetura fin-de-siécle, mas uma quase-Paris construída na precariedade. Eles lutaram, eles lutam por um ideal de civilizaçao que nós nem tentamos. Eles sofrem de verdade com o fato de nao terem chegado lá. O primeiro metrô da América Latina, a cidade brilhante, seus parques imensos, sua politizaçao, seus intelectuais – Borges, Cortázar, Bioy Casares -, e aqui estao eles, chimbando feito nosotros, e tendo que tolerar a bandeira da Petrobras em uma rede de postos de gasolina. Nós, os bárbaros… Mas eu gosto, até porque é contraditório o fato de que hay Perón, hay Evita, hay traços inequívocos de sudamérica nao só nas faces morenas que sao maioria nas favelas da periferia de quase-Paris…

A propósito, tem um livro à mostra nas livrarias, já na parte 2, portanto um sucesso de vendas, cujo nome nao anotei, mas que fala de algo como o destino atroz de ser argentino. A capa é ilustrada com uma imagem de Sísifo. Parece óbvio: eles se identificam com o mito do cara que é condenado a carregar a pedra até o topo, vê-la rolar morro abaixo e voltar a fazer tudo de novo, e de novo. Eles nunca chegarao ao primeiro mundo: entendi assim. Mas sao o nosso primeiro mundo, esse é o meu ponto. Pode-se, sim, ser pobre metido a besta, ser altivo a bordo de um Fiat 147!!!

A outra teoria que me veio à cabeça, essa de cunho econômico: eles nao ficam ricos porque vao demais a restaurantes. TODA a cidade tem bares e restaurantes. Assim nao dá pra fazer poupança!!

Discursos à parte, volto a pedir desculpas a Marcus e prometo nunca mais deixar de creditar imagens tomadas de empréstimo. Pra quem estranhou a ausência do til, mais uma barbeiragem: simplesmente nao sei como extrair este sinal dos teclados daqui, onde ele só aparece em cima do n. Saudaçoes rojas. E si, Maradona é Dios!!!

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7 Comentários

Arquivado em Poesia

7 Respostas para “Rojo

  1. Mas rapaz, um sertanejo de Brumado aplicando 171 autoral… Só há uma explicação: Você não está nas barrancas do Gavião, está em Buenos Aires. E como o homem é produto do meio, não é mais NP, você é um autêntico Cartier Bresson!

    Mais fotos, por favor, cabrón!

  2. Grant

    Nilson, não sei se existe uma outra forma mais fácil de incluir o til num teclado em espanhol. Mas você pode digitar o texto no Word e clicar em inserir símbolo, e depois colar na caixa do blog. O ñ, que corresponde ao nh em português, é uma letra chamada eñe (enhe), algo como um ene fanho. Pior do que isso é o espanhol dizer que ll não são dois eles, mas uma letra só, como o ch não é c+h, mas a letra che. Saludos y buenas vaciones.

  3. Grant

    PS: Vacaciones e não vaciones.

  4. NP, tive uma sensação parecida em B.A. Eles são muito mais civilizados que nosostros.
    Segundo a piada, eles pensam que são franceses, falam como italianos e algo com espanhóis, que não lembro..
    Bjs
    Diz a emilia, que o lance do teste foi transmimento de pensação!

  5. Nílson

    Apois, meu caro Gusmao. Cartier Bresson depois da gripe!

  6. Nílson

    Grant, valeu pelo toque. Vejamos se funciona no próximo post. Muchas gracias!!

  7. Nílson

    Márcia, pois é. Transmimento mesmo. Ou alguma mágica portenha. Bj.

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