Esse dia-fuligem, desenhos borrados
na cena. A silhueta na sala contra a
luz da manhã com diamantes dias
novos. Saudação ao sol, pequenos
rituais porque nada nos redime do
tempo. Algo nos trouxe até aqui.
A esperança tênue. Um cheiro de
café, um luar de jasmim, a tarde
arcaica. Algo nos tirou de nossos
afazeres e nos fez imersos em
coisas como o vento a chuva o que
nos chega, a vista de árvores,
edifícios, carros, os rastros de
árvores, edifícios, carros. Algo
nos levou de volta a nossos afazeres
todas as manhãs de nossos afazeres.
Algo nos enredou em longos intermináveis
diálogos com o que nos cerca, algo enfim nos
confundiu com o que nos cerca.

Algo me sussurrou, mas não sei dizer o nome ou a sensação. Por algum momento, achei que tocara a pele, e aí poderia ser o sol. Mas também parece ter tocado outras coisas, alguma engrenagem interna… sei lá! E o nome disso era poesia.
Bom te ver por aqui, caro irmão na poesia Escobar. Abraço!
Um poema para guardar, de uma sensibilidade rara.
Beijo, Nilson.
PS – se puder, passa no Palavrório.