Saudação ao sol

Esse dia-fuligem, desenhos borrados

na cena. A silhueta na sala contra a

luz da manhã com diamantes dias

novos. Saudação ao sol, pequenos

rituais porque nada nos redime do

tempo. Algo nos trouxe até aqui.

A esperança tênue. Um cheiro de

café, um luar de jasmim, a tarde

arcaica. Algo nos tirou de nossos

afazeres e nos fez imersos em

coisas como o vento a chuva o que

nos chega, a vista de árvores,

edifícios, carros, os rastros de

árvores, edifícios, carros. Algo

nos levou de volta a nossos afazeres

todas as manhãs de nossos afazeres.

Algo nos enredou em longos intermináveis

diálogos com o que nos cerca, algo enfim nos

confundiu com o que nos cerca.

3 Comentários

Arquivado em Poesia

3 respostas para Saudação ao sol

  1. Algo me sussurrou, mas não sei dizer o nome ou a sensação. Por algum momento, achei que tocara a pele, e aí poderia ser o sol. Mas também parece ter tocado outras coisas, alguma engrenagem interna… sei lá! E o nome disso era poesia.

  2. Um poema para guardar, de uma sensibilidade rara.
    Beijo, Nilson.
    PS – se puder, passa no Palavrório.

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