Outubro 30, 2009...11:16 pm

Um périplo

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Um desses dias – desses velhos

desatinos, andarmos por aí

como temos sido, vagabundeando

quase sempre, onde estivermos,

o que formos. Um desses dias

extremamente ocupados: criando

muitas coisas para se ocupar porque

somos assim: adoramos essas coisas

que criamos e as usamos, e as temos.

Elas brincam de deixar-nos e saem

para ziguezaguear e ficamos em torno

delas, as coisas, como borboletas elas

abrem-se, multicoloridas e frágeis e

tão leves e volúveis: corremos atrás

delas num campo extenso com

quase nada por muito tempo,

e vamos até onde isso nos leva,

siderados hipnotizados pelas

coisas brilhando, fosforescendo,

pulsando. Ardemos febris porque

as temos, às coisas, e por elas

desbravamos um planeta de

paisagens desconhecidas, outros

sóis, outras luas, cravamos nossos

dedos na fímbria das coisas e elas

nos alçam para além de nossas

forças ou virtudes ou crenças.

E não nos ocorre nunca deixá-las

partir: elas são nossas, e as

temos. É assim.

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