
Rodin: O pensador.
O que é que você sabe? Nada.
Nem isso, talvez. Ou mais que
isso: muita bobagem, inclusive
todas as letras enfileiradas que
se misturam, se chocam, se
confundem. Fica pensando: vai
pensando desde o berço até o
fim, pensando com essa carne
que calcula, nuvem de
memória, palpite de sempre.
O que é que você tem na cabeça?
Uma história? Uma isca? Uma
válvula? Umas pernas? Uns
sexos? Baratas? Armadilhas?
Pedras indecifráveis? Universos?
Tem ideia do que sejam?
Universos? O que é que você come?
Gente? Eis o problema: você
come gente, você come gente,
você come. O que é que você quer?
Nada. Nada, no final das contas. Só
dormir um pouco, é o que você quer.
Só dormir e sonhar: com o que talvez
nem se saiba. Com o que definitivamente
não se sabe.
6 Comentários
Outubro 28, 2009 às 7:48 am
Dormir e sonhar…Tenho dormido e sonhado com o que realmente não sei. Você acertou em cheio, vou adotar essa pra mim! Beijo.
Outubro 28, 2009 às 11:24 am
Nilson: eu exclamei assim após a leitura “Caramba!”
Você simplesmente escreveu um poema incrível!!!
Outubro 28, 2009 às 9:50 pm
Voce é definitivamente um dos poetas preferidos!
Outubro 29, 2009 às 11:20 am
Desconcerta saber
que ao certo
não sabemos nada
Atravessam portais
séculos de indagações
e incertezas do não saber
De antigas inquietudes
vestígios
nas pedras das soleiras
Do pó restante
das montanhas de sonhos
um dia escaladas
Ruínas
.
.
.
Nilson, dentro de nós há séculos de indagações e incertezas…
Um abraço!
Outubro 30, 2009 às 10:39 pm
Nunca sabemos, eis a resposta perplexa. Só a poesia – no seu mistério sonoro – sabe.
Novembro 2, 2009 às 10:12 am
pode crer, meu velho…