
Foto: Never stop writing, por Karina D.
O poema se repete,
o mesmo sempre,
e é assim também com os poetas que conheço:
célebres, anônimos, escrevem
um único, invariável poema.
Todos os poemas são de fato um só,
de Dante ao poeta da praça,
de Safo àquele de edições
do autor, ou de não-edições.
Os poetas somos iguais, uma mesma
pessoa com numerosos infindáveis
heterônimos e até, que seja,
curiosas idiossincrasias.
É possível que o poema já esteja pronto
desde o início dos tempos, e se dê
a revelar um pouco a cada um de nós,
hoje rima, amanhã ritmo, depois
verdades insofismáveis porém dispostas a
variar de acordo com a forma,
o efeito, o gesto que capture o leitor,
o ouvinte, e o traga para dentro
do poema que é o mesmo, que não nos
pertence, mas quer ser criado
por todos nós.

2 Comentários
Agosto 18, 2008 às 6:01 pm
É exatamente isto.
Agosto 19, 2008 às 8:19 pm
Somos todos sócios num grande projeto poético único.