Entradas do Março 2008

Março 29, 2008

Soul

O que fui, que sou,
que fui, que sou,
que fui, que soul.
 

Março 27, 2008

Água e vinho

O que acontece, depois de décadas, quando ressurge uma música ouvida com obsessão, tantas vezes, e depois esquecida de tudo, largada de mão, virtualmente deletada?

E se junto ressurge o menino de 17, imbuído do temerário sentimento, o diabo da poesia? Não o exercício com as palavras, mundano malabarismo: a poesia-em-si, abstrata-incorporada-carnal; inútil-vital; piração-inspiração.

O que [...]

Março 24, 2008

A cura

Acreditar em the cure estava na moda nos anos 80.

Março 23, 2008

O tempo

Homem caminhando ao sol:a história esqueça o que a história diz.
Ele vem de um possível futuro,estamos sempre à mercê desse truque,
pois algo ou alguém – o destino? – parece querer
que estejamos sempre à mercê.
A história o passado que coisa enfadonha:
escolher, entre tantas possibilidades,
aquela que nem de longe era a mais promissora. Dane-se a idéia [...]

Março 16, 2008

Pseudo-Sócrates

Tudo que você não sabe:
tanto que me dá preguiça.

Março 15, 2008

Máquina

 
A temporada de F1 começa amanhã. Aqui, um mouse-sobre-paintbrush de Caio, que tem feito umas coisas surpreendentes na tela do computador. 99% máquinas, claro.
Ser pai é babar no paraíso…

Março 14, 2008

Florbela Espanca

Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! 

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e [...]

Março 13, 2008

Canções de amor

Quero todas as canções de amor:
guardá-las, namorá-las.
Quero toda a vida que se
espreme nas canções de amor, vida em
todas as línguas que sibilam nas canções
de amor, vidas superdoces nas canções de amor.
Sorvê-las, derramá-las, seduzi-las,
amá-las: como se ama,
resolutamente, as canções de amor.

Março 11, 2008

Faz tempo

Ouve o emissário de tudo.
Ele fala por sinais equívocos, como
um ronco de motor lá na rua,
um choro de criança, uma
sede repentina, o espanto ao nos
darmos conta
do sol. Ouve a textura de objetos
animados pelo transcorrer da luz
e da sombra, o ser claro-escuro
da tarde. Ouve mais, ouve o sal
que tempera o jantar, ouve a lâmina
fria da [...]

Março 10, 2008

Pleno

 
O dia pleno me põe no meio
do supermercado de meros
desejos e desejos mágicos. O dia
pulsando no âmago, sangue
quente fruta cheirando a
abundância limiar de tudo
que apodrece, são tantos os
sentidos de um dia, são horas
a fio. Zanzando ao apelo das
cores do sol do jogo infinito
que me joga e se joga,
miríades de histórias sutis.
Quero o que é [...]