Julho 9, 2009

Mim

Minha tua noite, minha tua

espera, minha tua

vida. Minha tua estrela, minha

tua sempre, minha tua

nunca. Minha tua nuca,

minha tua cuca, minha tua

coisa. Música minha, tua,

natureza tua, melodia tua,

minha sorte minha.

Julho 8, 2009

Tradição

Nós, velhos nós: como se

fôssemos nossos

avós.

Julho 6, 2009

Cartas bahianas

capa aninha capa marcos

capa joao

A P55 Edições dá seqüência à coleção Cartas Bahianas com três lançamentos nesta terça, 7, das 19h às 22h, na Livraria Tom do Saber (Rua João Gomes, 249, Pirâmide do Rio Vermelho). Saindo do forno, ‘As receitas de Mme. Castro’, de Aninha Franco, ‘Ananke’, de Marcos Dias, e ‘Ao longo da linha amarela’, de João Filho. Não perca!!!

Julho 5, 2009

A noite (poema de Martha Galrão / Maria Muadié)

Daqui de casa
seguro a noite em meu peito.
Agarro a noite à unha
como um grande e velho touro negro.
Com um fio de voz
mantenho a lua suspensa (imensa).

.
Se eu dormir
a noite desmorona.

(Extraí esse belo poema de Martha do site Plataforma para a poesia. Porque a noite está sempre por um fio!).

Julho 1, 2009

Mutações

O tempo nada me disse:

foi passando. E eu também

nada: passando. Vi coisas,

por toda a vida e nas

entrelinhas como quem só

não vê o essencial porque

não há o essencial, só o

fluxo, criança correndo

pra cá e pra lá. Nada me

ocorreu quando era bem

tarde e poderia ter brotado

pelo menos um gesto

obsceno. Foi só um sorriso

algo mudo o que me ocorreu:

miudeza de expressão, sou

uma espécie de escravo de

toda encenação da verdade.

Nada mais difícil de conceber,

porque mudo, afinal, por

que: fui até muito antes de

mim e não havia mesmo a

acrescentar, fui cavando

na infinita vontade e só

então milhares de vezes a

porta aberta para lá e para

cá, fui sendo com a convicção

de quem não, fui capaz de

compreender, e ver como isso

pode ser fútil. Andei como todos,

à esquerda, à direita, em círculos.

Deixei que o tempo esquentasse

as asas nascidas deste meu

engenho: deixei que

elas fossem de cera mais uma

vez. E mergulhei na espiral

para ver tudo e sentir tudo,

desse modo assim claro, absoluto.

No outro dia cantava para

reis e príncipes, era o bobo

da corte, o viajante, o

estrangeiro.  E então um cego

a guardar as imagens de um

mundo inteiro. E então um homem

só, sem história, sem nome.

Fui sendo, fui sendo.

Minha voz aplainada no tempo.

Junho 30, 2009

Brumado para principiantes

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No tabuleiro da baiana tem … ketchup! “Se não tiver,

o povo reclama”, explica uma, purista, que resiste

ao que já virou uma espécie de tradição local.

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Postura do morto:  tem essa posição na

ioga (o nome em sânscrito é shavássana).

Aqui é ao pé da letra: as aulas acontecem na

funerária Pax Nacional!!!

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Ogã medieval: um castelo com torres que nem o de

Garcia d’Ávila tinha. Obra de um pai-de-santo que

espalhou out-doors pela cidade. E olhe que os crentes

proliferam, e os católicos vão bem, obrigado.

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Encruzilhada. Talvez esteja aí a resposta para todo esse hibridismo. Aqui tem

gente de tudo que é canto, vem gente de tudo que é canto, pra tudo que é canto.

Quer mais?

Junho 29, 2009

Dia de Pedro

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… e de Pedrinho!

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Junho 22, 2009

Jornada mística

Dirigir é um estado alterado da consciência, ouvi uma vez numa palestra. E acrescento: dirigir e voltar às origens, então, é uma viagem ainda mais radical – ops, radical, raízes, essas coisas vão colando nessas circunstâncias e não deve ser à toa…

À toa estou eu, depois de uma semana frenética de trabalho e de acordar às 4h30 pra pegar a BR antes do famigerado engarrafamento. E deu certo – confesso que tomei  café e Redbull, duas drogas da pesada, pra não dormir porque sou um cara de acordar mais tarde, sacumé.

Partilha musical no som do carro: Caio com os Beatles – em plena beatlemania aos nove anos, o cara -, Emília com Caetano, ‘Cê ao vivo’, e eu com uma enfiada de discos de Gonzagão. 500 quilômetros assim.

Não me entenda mal, mas vejo muitas conexões entre o grande Luís e os meninos de Liverpool: a inventividade melódica, a simplicidade aparente, a misteriosa capacidade de compor não simplesmente sucessos eternos, mas canções que são puro domínio público. Eles e Caymmi, entre outros, parece que plugavam no inconsciente coletivo e deixavam fluir. Viajei.

E Caetano: uma nova versão de ‘Sampa’ que é uma beleza e ‘O homem velho’, uma canção madura, um grande poema rescendendo ao ‘olor fugaz do sexo das meninas’. Mais psicotópicos nessa viagem, como se vê.

Então Brumado, e uma certa melancolia, a droga das drogas. Pai, mãe, irmãos, meninos, tios, primos. Brumado já não é como na adolescência, o porto seguro do garoto do interior estudando em Salvador. Já não dá mais angústia do cara que não encontrava mais os amigos, já não conhecia ninguém. É uma cidade qualquer onde cresci. Já não diz mais nada, diz tudo. Um sono incrível: banzo???

E hoje acabei de ler a biografia de John Lennon. De certa forma de luto pela morte estúpida. Há quase trinta anos, foi aqui mesmo em Brumado que ouvi falar dele pela primeira vez, exatamente quando foi assassinado. Tinha onze anos e nenhuma ideia dos Beatles ou do rock. Dos hippies, sim, que passavam por aqui e deixavam impressionado aquele garoto urbano de cidade operária do sertão.

Sou esses paradoxos. Lennon era muito mais. Era um ser humano, confuso como todos somos, mas não se pode negar a vida intensa, o brilho, o legado. Morreu hoje de novo pra mim e estou de luto. Tinha 40 anos, a minha idade. É possível suscitar uma alentada biografia de 800 páginas em quatro décadas de vida. Ou não. Mas isso pouco importa, no final das contas.

Na fila: Bioy Casares, o amigo de Borges. Parece bom. E a viagem segue…

Junho 19, 2009

O mar de repente

Era menino,

e só queria ver o mar.

.

Era menino,

e só queria ver o mar.

.

É o mar, é o mar, é o mar,

é o mar, é o mar, elo-mar.

Junho 17, 2009

Baião de brinquedo

SanfonaCrédito da ilustração

Gonzaga, não, destino,

menino rasga o fole,

criança no terreiro,

zabumba, flor da pele.

.

 Gonzaga, sim, que sorte,

quem sabe Deus que pode,

caminho sem porteiras,

arrasta-pé, saudade.