Um desses dias – desses velhos
desatinos, andarmos por aí
como temos sido, vagabundeando
quase sempre, onde estivermos,
o que formos. Um desses dias
extremamente ocupados: criando
muitas coisas para se ocupar porque
somos assim: adoramos essas coisas
que criamos e as usamos, e as temos.
Elas brincam de deixar-nos e saem
para ziguezaguear e ficamos em torno
delas, as coisas, como borboletas elas
abrem-se, multicoloridas e frágeis e
tão leves e volúveis: corremos atrás
delas num campo extenso com
quase nada por muito tempo,
e vamos até onde isso nos leva,
siderados hipnotizados pelas
coisas brilhando, fosforescendo,
pulsando. Ardemos febris porque
as temos, às coisas, e por elas
desbravamos um planeta de
paisagens desconhecidas, outros
sóis, outras luas, cravamos nossos
dedos na fímbria das coisas e elas
nos alçam para além de nossas
forças ou virtudes ou crenças.
E não nos ocorre nunca deixá-las
partir: elas são nossas, e as
temos. É assim.