Há o mosteiro de algum
dia, e nele o monge de
algum dia. Guardar as
horas desse dia: eis a sina
do monge do mosteiro
de algum dia.
Há o mosteiro de algum
dia, e nele o monge de
algum dia. Guardar as
horas desse dia: eis a sina
do monge do mosteiro
de algum dia.
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Quando tudo é mais simples tudo
é mais simples e é incrível como se
pode resumir assim: você sobre
todas aquelas coisas que se juntam
nesse mundo que é você e suas
coisas como uma camiseta uma
calça um sapato e uma ideia tudo
bem confortável na cena você
caminhando pelo cenário ideal
não propriamente um filme mas
a realidade um videoclipe. Diz
alguma frase bacana e faz uma
cara de todo modo bacana é
assim que se faz e grita, gritar
é preciso, sobre os telhados do
mundo este uivo e toda a
torrente de imagens de que
você se preenche todos os
dias querendo confundir o
jeito como estão contando
essa história essa sua história,
toda a narrativa humana de
Baal até aqui até Baal de volta
como pode ser, você imagina
quebrar a linha do tempo mas
a linha do tempo é como um elástico
não se pode quebrá-la. Então
esticá-la, até não mais poder.
Puxar os cabelos do homem de
Neandertal até fazê-lo confessar
o seu crime de lesa-paraíso.
Arrancar-lhe os olhos de quem
fez aquilo com a mãe o pai o ninho
de tudo isso e fez aquilo tudo chegar
até você. Baal até você. O diabo a
quatro até você. Gritar sob os
alicerces do mundo, provocar o
terremoto que porá abaixo o
zigurate a zorra toda.
.
Sentir que a
terra treme
lentamente
sob os pés.
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Há sempre necas entre as
possibilidades, e necas é
dessas esquinas de
movimentos impensados e
nenhum sinal vermelho. A rua
tem buracos, não há lugar no
universo de onde não brotem
tais insidiosos que nos
mudam, nós ninguém todos
e mais um punhado de
reflexos à razão de novecentos
enganos para cada.
Abre-se a valise e de lá um
objeto perfeitamente sem.
Dá-se por visitado o edifício
de pernas pro ar, o que é um
absurdo.
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A fé conduziu
Dante.
O ácido, Huxley.
Vai-se, de um jeito
ou de outro, ao inferno
e ao céu.
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Ok o deserto como se tateia,
o deserto me ilude essa
vasta fúria minimalista o
deserto como se parece
consigo mesmo a sua
retidão insuportável nunca
seremos capazes de olhar
o rosto cara a cara do
deserto onde nos perdem
os diabos disfarçados
de pastores.
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O tempo feito
chumbo
fio
de
cabelo
de anjo feito
nada
de matéria
só luz e não
como cinema
daguerreótipo a
pálida
tez de quem
se deixa.
.
Imagem: O ateliê do artista, 1837, daguerreótipo por Louis Daguerre.
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Não ignore a gravidade
dos deuses: ela pesa
sobre nossos corpos.
Deuses do céu do
chão do infinito
desejo de nossos
corpos. Não ignore
a sutileza dos deuses:
ela transpira como
nossa pele. Deuses
animados desenhos
vivos na pedra de
toque da nossa pele.
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O dia vai chegar,
fiquemos prontos.
Nos dará o ar da
graça com um vento
frio lembranças
vagas a verdade
as. Explodirá em
silêncio como
uma bomba de
silêncio.
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Há uma nota de
silêncio várias
nessa música.
Silêncio nas
entrelinhas das
entrelinhas em
tal volume em tal
intensidade.
Silêncio com
intervalos:
coisas, seres
e suas vozes
manifestas.
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